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A telemedicina a favor da humanização da Saúde

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    Médico e autor de obra sobre humanização explica os pontos em que a tecnologia pode auxiliar o atendimento ao paciente

    Por Editorial GesSaúde

    Com a movimentação em torno da regulamentação telemedicina pelo Conselho Federal de Medicina, diversos questionamentos foram levantados por especialistas na Saúde sobre o uso da tecnologia no atendimento aos pacientes. Porém, é categórico para os atuantes no setor da Saúde que as inovações digitais estão transformando o mercado e as relações entre as organizações de Saúde, clientes e pacientes. O médico e professor da Universidade Federal de Goiás (UFG)  Marcelo Fouad Rabahi, autor da obra “A Meta da Humanização: do Atendimento à Gestão na Saúde”, explica como a telemedicina pode ser aliada da humanização do atendimento sem, contudo, excluir a proximidade entre pacientes e médicos.

    O especialista lembra que a prática da telemedicina é comum no País em situações específicas. “Para algumas situações de avaliações de laudos, exames radiológicos, por exemplo, a telemedicina já existe. A regulamentação é boa para ter regras para essas situações. No serviço público funciona o TelesSaúde que é a segunda opinião para áreas remotas, isso está vinculado a alguma universidade. Na UFG, por exemplo, existe o setor da TelesSaúde e o atendimento acontece sempre tendo um profissional de Saúde do outro lado do computador, nas cidades remotas dos grandes centros em que existe o acesso”, explicou o médico.

    Rabahi explica que a telemedicina pode ser uma aliada do processo de humanização da Saúde. Porém, o médico estabelece uma visão crítica sobre o atendimento totalmente virtual. Para ele, o primeiro contato entre paciente e médico, com o exame preliminar físico, aumenta a confiança no relacionamento. “Não tenho dúvida de que uma consulta sendo realizada com o paciente tendo o conhecimento prévio do médico, ou que esse profissional já tenha atendido o paciente pessoalmente, as demais consultas subsequentes podem ser realizadas virtualmente. Porém, o exame físico é fundamental na avaliação clínica do paciente. Os métodos diagnósticos atuais são muito precisos. Mas não substituem o exame físico. É um ritual no nosso atendimento. É quando o médico pode tocar o paciente, o que aumenta a confiança. Além disso, o exame físico traz uma avaliação integral do paciente, ao contrário dos exames complementares que trazem uma visão fotográfica de cada uma das partes daquele indivíduo”, comentou.

    De acordo com o docente, a telemedicina vai distanciar médico e paciente. Por outro lado, quando usada para ampliar a gama de informações, permitindo troca de opiniões entre médicos sobre o quadro clínico, a tecnologia pode beneficiar o atendimento. “Todos os médicos devem estar atentos, pois a telemedicina é uma realidade. Mas precisamos trazê-la para complementar algumas dificuldades. A telemedicina pode ser um aliado da humanização, não como instrumento único de atendimento, mas sim complementar. Precisamos enxergar as dificuldades de atendimento. Um paciente que mora em lugar remoto ou teve de fazer uma viagem, e após a primeira avaliação física e o encaminhamento para os exames complementares, pode se valer da telemedicina. Vai tornar o tempo de avaliação mais curto e diminui a ansiedade do paciente, portanto é sim um instrumento de humanização”, salientou.

    TelesSaúde

    De acordo com o Ministério da Saúde, o Programa Nacional Telessaúde Brasil Redes foi instituído por meio da Portaria nº 35 de janeiro de 2007. É uma plataforma de troca de informações entre médicos estabelecidos em unidades públicas de Saúde e especialistas lotados em organizações de Saúde localizadas em centros urbanos. O programa oferece quatro serviços: teleconsultoria, segunda opinião formativa, tele-educação e oferta nacional de telediagnóstico.

    Saiba mais:

    Telemedicina: revogação não impede avanço da tecnologia

    Segurança do paciente e a realização da cirurgia segura

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    28 de fevereiro de 2019 | Atualizado dia 8 de janeiro de 2020


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