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Blockchain na Saúde, muito além das criptomoedas

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Quando o assunto é a segurança de dados, o blockchain surge como uma ferramenta fundamental e necessária para a gestão das organizações de Saúde

Por Roberto Gordilho

Você sabe quanto vale uma criptomoeda atualmente? Mesmo que esteja lendo este conteúdo em um momento de extrema valorização ou desvalorização desse modelo de troca financeira, a disrupção que as moedas digitais provocaram em todo o mercado não pode ser esquecida. Afinal, com a popularidade puxada por índices de valorização de até 200%, as criptomoedas também são cobiçadas por não serem transportadas pelas ruas dentro de carros-fortes e muito menos serem passíveis de ataques cibernéticos. Ou seja, sua ascensão se deve primordialmente pela tecnologia de segurança blockchain, que de igual forma causou impacto e levou benefícios para setores além das finanças, como é o caso da Saúde. 

O que torna o blockchain uma poderosa ferramenta para a gestão dos negócios em Saúde é sua capacidade de oferecer rastreabilidade, compartilhamento e, fundamentalmente, a segurança criptográfica dos dados. E para ressaltar ainda mais seus propósitos positivos, é de extrema importância que o gestor pense no impacto de conceitos como segurança do paciente e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). 

O blockchain ganhou a atenção dos empreendimentos no ano de 2008, primeiramente dentro do mercado de ações. Para entender o que é, como funciona o blockchain é preciso dissociá-lo da criptomoeda – embora muitas pessoas acreditem se tratar da mesma coisa. 

Criptomoeda

Também conhecida como cibermoeda ou moeda digital, trata-se de um meio de troca financeira, que pode ser centralizado ou descentralizado. As criptomoedas foram a primeira aplicação prática da segurança via blockchain. Uma grande trama envolve a história das moedas digitais, cujo conceito foi apresentado em 2008 por Satoshi Nakamoto (pseudônimo de uma pessoa ou grupo de criadores da criptomoeda) no artigo Bitcoin: Um Sistema de Dinheiro Eletrônico Peer-to-Peer, portanto, o bitcoin foi a primeira das criptomoedas. 

Toda a estrutura de uma criptomoeda foi pensada como forma de realizar uma transação financeira no universo online sem a intervenção obrigatória de um banco central (uma autoridade monetária centralizadora). Para tanto, Nakamoto propôs um modelo de troca monetária realizado de pessoa para pessoa (peer-to-peer), no qual a segurança da transação seria garantida por um rígido controle criptográfico, o blockchain. Pois bem, além do primeiro artigo apresentando o bitcoin e o blockchain, Nakamoto registrou o domínio bitcoin.org, que foi repassado para outros desenvolvedores – tudo sem revelar sua real identidade

Embora o mistério sobre quem é Nakamoto ainda não tenha sido solucionado, o bitcoin aqueceu o mundo das finanças e expôs os benefícios da tecnologia blockchain, que havia surgido anos antes da revolução das criptomoedas. 

O primeiro trabalho envolvendo o blockchain surgiu em 1991, em uma publicação assinada pelos cientistas Stuart Haber e W. Scott Stornetta. O artigo fazia a descrição de uma hierarquia de dados e informações digitais chamada “Cadeia de Blocos”, na qual ninguém poderia adulterar registros de hora e data dos documentos contidos em cada bloco.

Na verdade, essa descrição se aproxima bastante do conceito atual da segurança blockchain: uma cadeia de blocos contendo dados e informações, sendo que cada bloco possui um hash criptográfico. Trata-se de uma função matemática que gera um algoritmo de validação dos blocos, na qual é impossível descobrir o valor de entrada apenas com o valor de saída. Cada bloco é adicionado à cadeia (ou corrente, chain em inglês) após sua validação criptográfica. Portanto, o blockchain é um registro distribuído de validação de dados, na qual somente pessoas autorizadas dentro do sistema têm acesso aos blocos de informação.  

Benefícios

Na Saúde, a aplicação mais difundida do blockchain é a proteção dos dados de pacientes. Além disso, é possível rastrear o estoque de insumos, prescrição de medicamentos e garantir que os dados pessoais dos pacientes estejam a salvo de qualquer violação ou exposição pública – estabelecendo assim um nível de segurança digital em conformidade com a LGPD. Na medicina, informações como ensaios clínicos sigilosos ou o prontuário do paciente ficam protegidos e acessíveis apenas para os profissionais e o titular de cada dado pessoal.

Para ter acesso às informações, é preciso de uma chave criptográfica responsável pela decodificação. Sem isso, os blocos de dados não podem ser acessados e, em caso de tentativa de invasão, todo o sistema se auto-interrompe, inviabilizando o ataque. 

Além das características relacionadas à segurança digital, o histórico inalterado dos blocos permite que a organização possa fazer um levantamento detalhado das mais variadas informações. Isso pode beneficiar, por exemplo, o processo de diagnóstico via Prontuário Eletrônico do Paciente. Ali, qualquer alteração pode levar a erros e comprometer a segurança do paciente. Por isso, o blockchain tem outra característica importante: para qualquer alteração das informações de um bloco, outro é criado pelo sistema com as novas mudanças. O anterior é mantido no sistema e todos os blocos contém data e hora de todas as modificações. 

Dados, a base de tudo

Devido a alta confiabilidade no sistema de segurança e validação de dados, o blockchain está presente dentro de diversos negócios já adaptados às mudanças aceleradas da transformação digital.  Isso mostra que não basta apenas adotar a inovação aos sistemas integrados de uma organização de Saúde. Afinal, se não houver uma captação sistêmica de dados, com processos bem estruturados e uma cultura digital difundida entre todas as equipes, os benefícios do blockchain podem ser limitados. 

A importância do blockchain remete ao aumento do uso de sistemas de informação, que geram quantidades enormes de dados para apoiar a tomada de decisão de qualquer organização de Saúde. E isso se dá tanto do ponto de vista assistencial, com ganho para a qualidade de vida dos pacientes, quanto do ponto de vista da gestão, permitindo a manutenção da saúde financeira do negócio. 


20 de janeiro de 2022 | Atualizado dia 17 de janeiro de 2022


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