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Quem disse que Santa Casa só dá prejuízo?

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Mudança de mentalidade é urgente para alavancar profissionalização da gestão nessas organizações cruciais para a Saúde brasileira

Por Roberto Gordilho

As Santas Casas são o primeiro modelo de organização assistencial no Brasil. São elas que forneceram as experiências iniciais de gestão hospitalar praticadas em território nacional. Atualmente muitas dessas organizações vivem uma dinâmica financeira que está aquém da representatividade que as instituições desse tipo têm para o setor: afinal, em muitas cidades afastadas dos grandes centros elas representam a única alternativa de assistência. Mesmo assim, estão afundadas em dívidas. Essas dificuldades de caixa criaram um consenso que tem de ser mudado: o de que Santa Casa só dá prejuízo.

As Santas Casas foram fundadas no Brasil como instituições de saúde religiosas focadas em caridade, ou seja, assistência gratuita para os necessitados. Esse modelo serviu muito bem em um Brasil incipiente, onde as doenças tropicais afetavam de maneira grave muitos dos colonos. Era um período em que a Igreja Católica tinha certa importância junto à coroa lusitana e, por isso, estava provida de recursos para garantir o atendimento à população – que, obviamente, era muito menor que a atual.

Com o passar dos anos, a gestão religiosa focada na caridade foi substituída por uma administração filantrópica, ainda com raízes fortes no assistencialismo. É por isso que, como instituição de grande representatividade para a Saúde do País, o lugar-comum que se criou em torno das Santas Casas deve ser mudado. E isso precisa acontecer já – no embalo da transformação digital, que exige uma gestão profissionalizada para, de fato, promover mudanças nas instituições de Saúde.

As Santas Casas são hospitais e, como tal, devem ser geridas como negócios. Certo é que elas dependem de cotas de atendimento ao SUS (Sistema Único de Saúde) – e, por isso mesmo, sofrem com a desatualização da tabela que já ultrapassa mais de 10 anos. Além disso, como instituição filantrópica, elas não podem reter lucratividade. Mesmo assim, é expressiva a necessidade de garantir que elas continuem de portas abertas e, mais que isso, prestem assistência de qualidade. Ou seja, as Santas Casas não podem sofrer com prejuízos financeiro pela simples realidade que insumos, materiais hospitalares e tecnologia para atender bem o paciente dependem de investimentos.

Como negócio, a Santa Casa tem as mesmas obrigações de qualquer organização: precisa de equilíbrio orçamentário para realizar melhorias e investimentos, deve ser eficiente, ter planejamento estratégico, gerir pessoas, investir em tecnologias, ter governança, enfim, garantir as boas práticas de gestão. Muitos hospitais tidos como privados, como Albert Einstein, Sírio-Libanês, Mãe de Deus, Moinhos de Vento, entre outros, são filantrópicos. E nem de longe estão dando prejuízo. Por que as Santas Casas ainda acreditam que tem de ser assim?

É preciso deixar claro que a profissionalização da gestão não tem a ver com a origem da instituição, mas sim com o modelo mental. As Santas Casas têm de ser administradas como instituições privadas que são, com foco em resultados para o paciente e para a instituição. E a resposta para tudo isso é a maturidade de gestão.

Quer saber como? Ficarei feliz em te contar.

Roberto Gordilho é professor, palestrante, CEO da GesSaúde, apresentador do Canal GesSaúde no Youtube e autor do livro Maturidade de Gestão Hospitalar e Transformação Digital: os caminhos para o futuro da Saúde.

Saiba mais:

Evolução das Santas Casas: religião, assistência e gestão

Implicações trabalhistas de um programa de compliance no hospital

Até quando os pequenos e médios hospitais vão acreditar que a Saúde não está mudando?


5 de julho de 2018 | Atualizado dia 14 de janeiro de 2020


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