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Desafios da formação acadêmica em medicina

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    Melhor uso de tecnologias digitais no aprendizado, o reconhecimento do peso da geração Y e fortalecer os fundamentos de gestão, estão entre as principais dificuldades

    Por Editorial GesSaúde

    A revolução tecnológica trouxe mudanças disruptivas em diversos meios educacionais. A proposta de utilizar soluções digitais para promover melhores práticas de ensino é uma prerrogativa que muitas universidades têm adotado nos últimos anos. Na medicina, porém, alguns desafios ainda precisam ser superados na formação do profissional, o que impacta diretamente no desenvolvimento do mercado de Saúde.

    Unir metodologias de ensino e aprendizado com tecnologias de informação e comunicação, além da presença cada vez maior da geração Y nas universidades, são alguns dos fatores que ainda estão em desenvolvimento no plano pedagógico. A fundamentação do papel de gestor pelo médico também faz parte da lista de desafios que a educação em medicina precisa melhorar, conforme o médico Fernando Teles de Arruda, coordenador do curso de medicina do campus São Paulo da Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS).

    Revolução tecnológica

    Para o docente, novas ferramentas que auxiliam o aprendizado, como a simulação por realidades digitais e a gameficação, devem estar alinhadas ao plano pedagógico característico da medicina. “Hoje se vê muito a questão da simulação. Em cenários simulados o aluno pode repetir as práticas inúmeras vezes, em um ambiente em que ele possa ser melhorado antes de atender pacientes. A integração tecnologia e educação nunca foi tão efetiva quanto tem sido nos últimos anos. Mas ela não pode acontecer só por existir. A questão é como integrar tecnologias e metodologias. É um elo frágil. Esse é um dos grandes desafios além da melhoria da própria metodologia de ensino e aprendizado”, argumentou.

    Gestão

    “Desde o advento do SUS (Sistema Único de Saúde) temos três áreas da formação do profissional: gestão, educação e assistência. Educação: orientar seus pacientes, produzir ciência, preocupar-se com o próprio aprendizado. Gestão: trabalhar em equipe, trabalhar com equipes multi profissionais, trabalhar com a relação custo benefício, baseado nas melhores evidências científicas. Essas características não são tão valorizadas na formação dos médicos”, explicou Arruda. O médico aponta que historicamente os muitos clínicos foram convidados para assumir papéis de gestão nos hospitais sem, contudo, terem em sua formação elementos conceituais de administração empresarial.

    Apesar da excelência médica, esses profissionais não possuam requisitos corporativos para enfrentar a complexidade de uma organização de Saúde: boas práticas de gestão, desenhos claros de processos, visão global do negócio, entre outros. “A grande lacuna é que nenhuma instituição formava gestores. Isso é fato até hoje. É muito comum as organizações convidarem médicos para assumir cargos de gestão porque eles são bons clínicos, se comunicam bem, e por características que não têm nada a ver com gestão. Isso gerou um atraso na profissionalização do ambiente de gestão em Saúde. Esse atraso, porém, começa a ser suprido pela onda de profissionalização atual, em que elementos corporativos, melhores práticas de gestão são fundamentais. Além disso, grandes gestores começaram a entrar na gestão dos hospitais”.

    Geração Y

    O meio acadêmico tem se transformado pela chegada de estudantes cada vez mais integrados com a tecnologia, preocupação com a relação trabalho e qualidade de vida e atenção às questões ambientais. Essas características são elementares, conforme o docente da USCS, para a formação de médicos mais humanizados, comunicativos e preocupados com procurar o melhor atendimento através das ferramentas de tecnologia. “Isso muda o perfil do profissional dentro do mercado. Um profissional mais atentado, mais comunicativo, um profissional que conseguem tentar buscar mais soluções de forma interativa. A geração Y procura por uma relação de equilíbrio entre família e trabalho, uma relação diferente com tecnologia e redes sociais e humanização mais efetiva. Essas características são muito valorizadas e ampliadas quando utilizada tecnologias de informação e metodologias ativas de educação na formação do profissional”, avaliou o médico docente.

    A humanização da Saúde e o uso de tecnologias transformam o atendimento ao paciente. Porém, médicos capazes de utilizarem os resultados das boas práticas de gestão e atualizados com as inovações tecnológicas podem contribuir ainda mais com a evolução dos hospitais.

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    12 de fevereiro de 2019 | Atualizado dia 14 de fevereiro de 2019


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