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Estratégias de geração de valor para o paciente: por que elas estão dando errado

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Sem modelo que coloque o paciente – e a sua saúde – no centro do negócio, hospitais não sobreviverão ao futuro

por Roberto Gordilho

Há muitos anos muitas organizações de Saúde brasileiras encontram dificuldades em aliar qualidade da assistência e resultados financeiros, como se uma estivesse dissociada da outra. O conceito de gerar valor para o paciente ao mesmo tempo em que se promove a sustentabilidade do negócio não é novo, mas se torna cada dia mais vital para a perenidade dos hospitais no futuro. No entanto, ainda há muita confusão em relação ao que é, de fato, valor em Saúde.

Saúde baseada em valor é caminho para o futuro. Foto: Pixabay

Algumas instituições acreditam que o valor está ligado apenas à experiência do indivíduo. Assim, fazem de tudo para que ele se sinta confortável durante o período em que está no hospital. Com essa ideia em mente, vemos organizações que investem alto em hotelaria 5 estrelas ou contratam chefs de cozinha para preparar as refeições. São maquiagens que não resolvem um desafio muito mais profundo: a maioria dos hospitais brasileiros ainda atua no modelo de pagamento fee for service, onde o que importa é a quantidade, não a qualidade dos serviços.

Na Europa, organizações de Saúde já adotam modelos baseados em valor desde a década de 1980. Nos Estados Unidos, em torno de 80% dos hospitais também atuam com remuneração baseada na performance. O norte-americano Institute for Healthcare Improvement (IHI), propõe, desde 2008, que as instituições trabalhem com foco no conceito da tripla meta: melhorar a experiência com o cuidado, proporcionando assistência segura, efetiva e confiável; diminuir os custos per capita; e melhorar a saúde da população com ações de prevenção, bem-estar e controle de condições crônicas.

No Brasil, porém, iniciativas do tipo ainda seguem experimentais e muito mais voltadas para o conforto que o valor propriamente dito. Mudar esse cenário depende de esforço do sistema de Saúde como um todo. Enquanto ele for focado na doença, as estratégias de valor não darão certo.

O último Fórum Econômico Mundial, em março de 2018, trouxe uma possível resposta para o desafio de uniformizar os modelos baseados em valor em todo o mundo. Segundo os especialistas, há cinco pilares que devem ser trabalhados para um futuro baseado em valor na Saúde: dados e informação; compartilhamento de experiências, pesquisas e ferramentas; profissionalização da gestão; e modelos de remuneração.

Portanto, criar uma cultura onde o paciente é o foco do negócio é ir além da mera experiência. É trabalhar a organização como um todo para alcançar os resultados esperados. E resultado em Saúde é aquele baseado em quatro eixos fundamentais: segurança do paciente, qualidade do atendimento, eficiência dos processos e, por fim, o resultado econômico/financeiro como consequência.

O cuidado na forma de valor, portanto, só será alcançado quando a eficiência também o for. Com processos bem desenhados, pessoas engajadas, tecnologias em pleno uso, estratégia definida e governança em prática, oferecer valor se torna muito mais simples para as organizações de Saúde – porque é parte inerente da atividade.

Para que tudo isso aconteça, portanto, o primeiro passo é profissionalizar a gestão. Garantir a maturidade dos processos e do negócio como um todo não é tarefa fácil, mas somente assim será possível entregar aquilo que o paciente, cada vez mais empoderado e exigente, busca no setor: resolutividade, saúde e qualidade de vida.

Roberto Gordilho é professor, palestrante, CEO da GesSaúde, apresentador do Canal GesSaúde no Youtube e autor do livro Maturidade de Gestão Hospitalar e Transformação Digital: os caminhos para o futuro da Saúde.

 

Saiba mais:

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13 de agosto de 2018 | Atualizado dia 16 de outubro de 2018


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