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Gestão de pessoas: como lidar com erros em hospitais

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    Criar uma cultura que veja o erro como oportunidade de melhoria e crescimento é fundamental para minimizar intercorrências

    Por editorial GesSaúde

    Organizações de Saúde lidam diariamente com a vida e, exatamente por isso, devem trabalhar para evitar erros que possam comprometer a assistência ao paciente. Mas é um fato que intercorrências ainda acontecem – até porque toda atividade humana está sujeita a elas. Apesar disso, há estratégias capazes de reduzir esses índices, envolvendo conceitos como governança corporativa, mapeamento e gerenciamento de processos, tecnologias, mas, especialmente, gestão de pessoas.

    Um exemplo do tamanho do desafio do setor de Saúde brasileiro na busca por reduzir os erros e eventos adversos está no Primeiro Anuário da Segurança Assistencial Hospitalar no Brasil, produzido pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e divulgado em novembro de 2017. O estudo mostrou que de julho de 2016 a junho de 2017, 829 brasileiros morreram por dia em decorrência de condições adquiridas nos hospitais – ou seja, sequelas causadas por erros ou eventos adversos. Foram analisados dados de 133 hospitais que atendem 7,6 milhões de pessoas em todas as regiões do País.

    Um estudo internacional mais recente, feito pela Universidade de Basel, na Suíça, analisou 25 levantamentos internacionais sobre causas e frequências de eventos adversos e apontou que 10% dos pacientes sofrem algum tipo de evento adverso durante o tratamento. A metade deles – 51,2% – poderia ter sido prevenida.

    Conforme Fernando De Vincenzo, gerente de mercado da consultoria Produtive, um dos passos fundamentais para reduzir os erros é mudar a forma como eles são tratados. “É imprescindível haver uma política de gestão de pessoas aliada à governança corporativa, em especial em organizações de Saúde onde erros, quando muito graves, podem levar à morte. O profissional precisa saber quais são as regras a serem cumpridas, mas também entender que há um amparo da instituição para ajudá-lo a superar os erros e crescer com eles”, destaca o profissional.

    Maturidade de gestão

    Líderes de organizações de Saúde têm papel chave na construção da cultura de tratamento dos erros. Foto: Pixabay

    Vincenzo acredita que a maturidade de gestão auxilia na criação de uma cultura que trate o erro de forma construtiva. “Em empresas maduras, com processos e responsabilidades bem definidas, cada profissional entende o impacto que sua atividade causa no todo e, em especial, para o paciente. É diferente quando se envia uma advertência formal para um colaborador porque ele preencheu incorretamente o prontuário do paciente e quando o líder chama para um diálogo e explica o impacto dessa intercorrência. A chance de o erro voltar a ocorrer no segundo caso é muito menor porque o profissional foi engajado.”

    O especialista avalia que as lideranças do hospital têm papel chave na construção dessa cultura. Não basta delegar a criação desse conceito para um determinado departamento, mas sim garantir que ele permeie toda a organização. Afinal, um líder que ampara seu profissional e conduz a melhoria do processo junto com ele engaja equipes com muito mais facilidade e, aliado às demais estratégias, reduz a ocorrência de erros.

    Com processos mapeados e gerenciados, tecnologias que apoiam esses processos e equipes conscientes e engajadas por uma cultura que incentiva a melhoria, a qualidade e eficiência da assistência ao paciente são as principais beneficiadas.

    Saiba mais:

    Estratégias de geração de valor para o paciente: por que elas estão dando errado

    A regulação da Saúde e a incorporação de novas tecnologias

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    14 de agosto de 2018 | Atualizado dia 13 de janeiro de 2020


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