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Maturidade de governança corporativa é fundamental para sucessão na Saúde

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Organizações geridas por famílias ou grupos de médicos também devem adotar modelo estruturado e profissionalizado de gestão

Por Editorial GesSaúde

Governança corporativa é um conceito fundamental para as organizações de Saúde da atualidade. A maturidade e profissionalismo do modelo de administração adotado reflete tanto no backoffice quanto na assistência, além de facilitar processos sucessórios em casos de hospitais, clínicas ou outros tipos de entidades fundadas por famílias ou grupos de médicos – prática muito comum no Brasil.

Esses mesmos médicos que, no passado, fundaram suas organizações e as viram crescer ao longo dos anos, enfrentam agora a complexidade da sucessão, que muitas vezes envolve diversas famílias, com interesses distintos. Na ausência de um nível mínimo de maturidade da governança corporativa, esse processo pode se tornar ainda mais desafiador. É com essa demanda que muitos hospitais e clínicas têm me procurado, sem saber qual o caminho menos doloroso para passar por essa transição de gestão dentro da organização.

São quatro os principais pontos que devem ser avaliados em uma sucessão na Saúde:

1- Governança corporativa: não por acaso está em primeiro lugar. É o principal aspecto que deve ser avaliado antes mesmo de iniciar o processo de sucessão. O ideal é que hajam conselhos administrativo e fiscal definidos, com diretoria eleita, conselheiros independentes, com remuneração baseada no valor econômico gerado e nos riscos assumidos, além de políticas de auditoria e  relatórios periódicos (trimestralmente, no mínimo) sobre a atuação e desempenho da companhia. Com todas as políticas de governança em prática, reduz-se os riscos da sucessão impactar o funcionamento diário da instituição.

2- Filhos não cotistas: é grande ou pequena a influência dos filhos que não tem cotas acionárias na gestão direta da organização? Esse é um reflexo do nível de maturidade da organização e precisa ser avaliado durante a sucessão, a fim de delimitar quem pode ou não tomar decisões sobre o futuro da entidade.

3- Atuação dos sócios: o quanto a estrutura organizacional e operacional está vinculada aos sócios determina a complexidade da sucessão. Portanto, garantir a profissionalização é fundamental antes de iniciar o processo de sucessão – caso contrário, corre-se o risco de prejudicar a rotina organizacional por conta da saída de um determinado sócio, por exemplo.

4- Modelo de remuneração: há organizações que têm modelos confusos e pouco claros de pagamento dos sócios. Algumas associam remuneração pelos honorários, somada àquela pelo cargo na diretoria e também acumulando atividades de gestão. A definição de um modelo de remuneração que separe, de fato, a remuneração pelo trabalho e o resultado da organização é fundamental para evitar discrepâncias.

Com esses quatro aspectos em mente e a profissionalização da gestão, a sucessão se torna mais um aspecto do dia a dia da organização. Na prática, ela consiste na passagem de bastão na gestão, mas quando essa administração está intrincada no processo operacional, a sucessão é muito mais complexa. Estabelecer um bom modelo de governança é fundamental para garantir que esse processo ocorra de forma menos traumática e mais suave para todos os envolvidos.

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7 de março de 2019 | Atualizado dia 7 de março de 2019


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