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Medicina preventiva: uma nova forma de gestão para a Saúde

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    Especialista explica os motivos de o atual modelo de medicina preventiva das organizações de Saúde não ser sustentável

    Por Editorial GesSaúde

    Nas últimas semanas o mercado de Saúde vivenciou períodos de turbulência, com operadoras reduzindo custos, além da decisão da Agência Nacional de Saúde (ANS) de suspender a venda de mais de 50 planos. Reclamações de beneficiários, crise financeira e diversos problemas operacionais acarretaram a reviravolta que o setor está passando. Especialistas explicam que um dos motivos que levou essa decaída é a gestão voltada para apenas tratamento e cura de enfermidades, em detrimento de serviços focados para a prevenção e melhoria da saúde dos pacientes. A medicina preventiva é vista como uma das melhores formas de garantir a sustentabilidade do negócios, além de oferecer atenção maior aos usuários.

    Porém, essa mudança na gestão da Saúde exige preparo não apenas das organizações, mas, principalmente, dos gestores e profissionais ligados às tomadas de decisão. “A mudança está acontecendo de forma muito rápida e o número de profissionais que estão se preparando e buscando conhecimento, buscando a maturidade ainda é pequena. Estamos vendo grandes empresas que estão abraçando o mercado com muita facilidade, pois têm muito dinheiro, são verticalizadas e têm essa facilidade do controle econômico. Então o planejamento econômico, financeiro, estratégico, é fundamental”, avaliou o médico Rodrigo Leite, CEO da FSL Governance e especialista em gestão hospitalar.

    Oferecer serviços de prevenção, envolver o paciente no cuidado da própria saúde, são formas de gestão que podem oferecer maior eficiência e segurança ao paciente. “Não existe outra forma de pensarmos a Saúde se não for por meio da prevenção. Cuidado antecipado. Quando estudamos gestão de tempo, o Cristian Barbosa costuma falar muito disso, que precisamos nos antecipar. Se temos que fazer algo na sexta, que ela seja feita na quarta. E a Saúde tem de ser assim. A gente não pode esperar chegar no atendimento um paciente com dedo necrosado por conta do pé diabético. Isso acontece pois a organização não cuidou desse paciente na atenção básica, não teve um cuidado para fazer a glicemia, para saber se a medicação está sendo tomada de forma correta, se o paciente está tendo uma boa resposta”, exemplificou o médico.

    Sobre a relação entre operadoras e hospitais, Leite ressalta a falta de dinamismo entre as empresas o que acaba por gerar problemas como as glosas, por exemplo, além de deixar o paciente na margem do cuidado. “É uma relação de perde e ganha, pois, quando o plano de Saúde não gasta dinheiro, o hospital não está ganhando. Então o plano ganha e o hospital perde. Quando o hospital consegue, por exemplo, uma internação para procedimento cirúrgico, pede uma porção de material paga medicação, utiliza OPMEs (Órteses, Próteses e Materiais Especiais), o hospital ganha ao apresentar uma conta hospitalar altíssima, por outro lado, o plano perde. Nesse tipo de relação sempre vamos encontrar uma disputa desigual e nesse meio do caminho está o paciente. Por isso, esse modelo não se mantém sustentável”, afirmou o especialista. 

    Planos de Saúde

    Em agosto, a ANS suspendeu a venda 51 planos de saúde de 10 operadoras. Conforme o órgão federal, o principal motivo para essa determinação foi o aumento das reclamações dos consumidores. Para voltar a comercializar os produtos, as empresas são obrigadas a aplicar estratégias de melhoria nos serviços para a redução das reclamações. Foi o que aconteceu com outras 11 operadoras que a partir da primeira quinzena de setembro podem voltar a oferecer no mercado 28 planos de saúde.

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    5 de setembro de 2019 | Atualizado dia 2 de março de 2020


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