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Os seis aspectos da maturidade de governança clínica no hospital

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    Sistema tem como objetivo garantir a excelência dos serviços de Saúde, contemplando qualidade da assistência e segurança do paciente

    Por Editorial GesSaúde

    Governança clínica é um sistema no qual as organizações se responsabilizam em melhorar continuamente a qualidade dos seus serviços, garantindo elevados padrões de atendimento e promovendo um ambiente de excelência em cuidados clínicos. O termo foi criado pelo National Health System (NHS), sistema de Saúde britânico, e se expandiu pelo restante do mundo até chegar ao Brasil. Mas, na prática, ainda há muitos desafios para a implementação do conceito nos hospitais do País.

    O médico Rodrigo Leite, CEO da FSL Governance e especialista em gestão hospitalar, explica que a governança clínica é composta por seis principais fatores: auditoria clínica, educação permanente, efetividade clínica, gerenciamento de risco, pesquisa e transparência. “A aplicação destes conceitos deve acontecer em todos os serviços que objetivem atendimento clínico de alta qualidade, eficiência e eficácia”, destaca Leite. Conheça mais sobre cada um deles:

    • Auditoria clínica: proporciona o acompanhamento do desempenho clínico, tendo como base a comparação de resultados e medidas.
    • Educação permanente: tem como intuito a melhoria da qualidade e correção do mal desempenho. Deve-se ter como objetivo o desenvolvimento profissional contínuo, troca de ideias baseadas em evidências, compartilhamento de práticas eficazes, entre outros.
    • Efetividade clínica: trata-se da medida da extensão que uma intervenção atinge. Inclui a análise do quanto a intervenção é apropriada, considerando seus custos. O especialista indica que a prática clínica deve ser redefinida à luz das evidências de efetividade, considerando os aspectos da eficiência e segurança na perspectiva do paciente e da comunidade.
    • Pesquisa: a partir da coleta estruturada de dados gerados na assistência, geram-se ferramentas ativas que auxiliem na tomada de decisões dentro do hospital.
    • Transparência: todos os demais fatores devem estar associados à transparência na discussão sobre as ferramentas de governança clínica. É o desejo de disseminar as informações para gerar um clima de confiança, tanto internamente quanto externamente, na instituição. Assim, o paciente se torna o ponto central para as ações, que têm como claro objetivo a satisfação do cliente com o serviço prestado.

    Leite avalia que todos esses fatores se tornam ainda mais importantes no atual cenário da Saúde, com a mudança no modelo de remuneração proporcionada pelo advento do pagamento por performance. O especialista ainda elenca que o aspecto mais importante para obter uma boa governança clínica é a maturidade de gestão dos líderes. “O desenvolvimento pessoal e da equipe multiprofissional é fundamental para o resultado. Os gestores precisam conhecer profundamente seus serviços e estar antenados com as mudanças que estão acontecendo no mundo. Conforme a própria NHS descreve em seu site, a governança clínica tem como objetivo assegurar padrões clínicos ótimos e, consequentemente, melhorar a qualidade das práticas clínicas. Logo, a aplicação dos instrumentos tecnológicos, permitirão o controle, a avaliação e o desenvolvimento dos profissionais e dos serviços com o foco na atenção voltada ao paciente, a sustentabilidade e qualidade dos serviços”, garante Leite.

    O especialista ainda alerta que os hospitais brasileiros tem um longo caminho para percorrer quando o assunto é a governança clínica. “Na grande maioria das instituições, encontramos um cenário com informações e registros deficientes, baixa profissionalização da gestão e assistência fragmentada.”

    Nesse ponto, Leite acredita que a tecnologia é um meio para um modelo mais maduro de governança clínica, mas não o único. “A utilização de novas tecnologias integradas com o uso de Inteligência Artificial (IA), para a realização de diagnósticos e/ou decisões clínicas, irá alterar de maneira significativa a relação entre o médico e o paciente. Também haverá grande impacto em algumas especialidades médicas onde o diagnóstico depende da avaliação de imagens, por exemplo. Com as IA’s os diagnósticos serão muito mais precisos e eficazes do que o olho humano.” Leite ainda cita o uso dos wearables (tecnologias vestíveis), que revolucionarão o diagnóstico e controle de doenças, exames em tempo real, tratamentos à distância, mapeamento genético, entre outras inovações que permitirão mudar o foco para prevenção, e não mais apenas para tratamento de doenças estabelecidas.

    Diante de tantos avanços tecnológicos e das mudanças proporcionadas por eles, sai na frente o gestor que consegue incorporá-los em sua governança clínica de forma madura e com foco no alcance de excelência fundamental para as organizações do futuro.

    Saiba mais:

    O impacto da IoT e wearables na Saúde

    Conceitos e tendências da gestão hospitalar

    Comunicação e tecnologias auxiliam a gestão anestésica a manter a segurança do paciente

    Foto: Freepik


    12 de novembro de 2018 | Atualizado dia 9 de janeiro de 2020


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